Otimistas ou realistas, muitos cruzeirenses tinham apenas uma
dúvida antes do jogo contra o Real Potosí: de quanto seria a
goleada cruzeirense? A confiança aumentou quando o técnico Adilson
Batista surpreendeu e mandou a campo um time com três atacantes:
Kléber, Wellington Paulista e Thiago Ribeiro. Um rolo compressor
azul disposto a decidir logo o jogo.
O aguerrido time boliviano sobreviveu à forte pressão
cruzeirense nos dez minutos iniciais. No lance mais incrível, aos
nove, Henrique acertou uma bomba no travessão. No rebote,
Wellington Paulista cabeceou e já partia para comemorar
quando o goleiro brasileiro Mauro Machado evitou o gol com uma
bela defesa.
Acostumado a jogar nos quase 4.100 metros de altitude de Potosí, o
Real tentou voar baixo em Belo Horizonte (858 metros acima do nível
do mar), com uma correria desenfreada e uma marcação dura. Mas até
quando iria suportar?
A lógica começou a ser concretizada aos 28 minutos, quando
Wellington Paulista foi lançado na área, dominou no peito e, mesmo
sofrendo falta, conseguiu concluir diante da saída do goleiro.
Quase dentro da meta, Marquinhos Paraná chegou para completar, e o
gol foi anotado para o volante.
Dois minutos depois, o Cruzeiro chegou ao segundo gol: Thiago
Ribeiro recebeu assistência de Wellington Paulista e tocou para
vencer Mauro Machado. O gol desarticulou de vez a equipe
boliviana.
Assim, o terceiro tento celeste parecia apenas uma questão de
tempo. E foi. Precisamente, nove minutos. Cada vez mais em lua de
mel com a torcida, Kléber recebeu de Jonathan e concluiu para fazer
3 a 0. “Uh, terror, Kléber matador!”, gritaram os
torcedores no Mineirão, enquanto o atacante beijava o escudo do
clube na comemoração.
O placar virou goleada aos 46 minutos, quando Thiago Ribeiro cruzou
para Jonathan ampliar para 4 a 0. Decepcionado, o técnico do Real
Potosí, Sergio Apaza, deu um soco no ar, lamentando o fiasco de sua
equipe no primeiro tempo, enquanto a festa azul corria solta no
estádio.
Três gols nos cinco minutos finais
A situação ficou ainda mais complicada para os visitantes logo
após o pontapé inicial do segundo tempo, quando Yecerotte mostrou
desequilíbrio e atingiu violentamente Kléber, sendo expulso com
apenas cinco segundos.
Com 4 a 0 no placar e um jogador a mais, o técnico Adilson Batista
realizou o sonho dos ofensivistas, trocando o volante
Elicarlos por Guerrón, deixando a equipe com quatro atacantes.
“Adilson, Adilson”, gritaram os cruzeirenses no
Mineirão.
Logo em seu primeiro lance, Guerrón foi acionado pela direita,
entrou na área, fez o gol, foi comemorar com a torcida e nem viu
que o árbitro Diego Abal havia anulado a jogada,
devido ao impedimento apontado pelo auxiliar.
Outro impedimento ali, mais um acolá, e nada de o quinto gol sair.
Depois de gritar olé, a torcida pediu mais um tento. Kléber foi
substituído, mas quem entrou foi outro atacante, Eliandro. A
pressão continuou...
A tarefa cruzeirense ficou ainda mais facilitada com a expulsão de Galindo. Por um motivo curioso. O jogador do Potosí não aceitou o pedido do árbitro para que retirasse uma aliança do dedo e foi expulso aos 28.
Se em 41 minutos, o time não conseguiu marcar, fez três gols nos cinco minutos finais. Aos 42, o substituto do Gladiador ampliou. Eliandro recebeu de Jonathan e fez o quinto. Aos 44, Bernando invadiu a área, driblou o goleiro e tocou para a rede. Guerrón foi premiado pelo esforço ao marcar o sétimo, após boa jogada individual pela direita. Um fecho de ouro para a festa celeste no Mineirão.
Ficha técnica:
| CRUZEIRO 7 x 0 REAL POTOSÍ | |
| Fábio, Jonathan, Gil, Leonardo Silva e Diego Renan; Marquinhos Paraná, Elicarlos e Henrique (Bernardo); Kléber (Eliandro), Wellington Paulista e Thiago Ribeiro | Mauro Machado, Eguino, Ricaldi, Edemir Rodríguez e Galindo; Argarañaz (Loaiza), Eduardo Ortiz, Clavijo e Helmut Gutiérrez; Yecerotte e Andaveris |
| Técnico: Adilson Baptista | Técnico: Sergio Apaza |
| Gols: Marquinhos Paraná, aos 28 minutos, Thiago Ribeiro, aos 30, Kléber, aos 39, Jonathan, aos 46 do primeiro tempo, Eliandro, aos 42, Bernardo, aos 44, e Guerrón, aos 47 do segundo tempo. | |
| Cartões amarelos: Galindo, Gutierrez (Real Potosí), Henrique (Cruzeiro). Cartão vermelho: Yecerrote e Galindo (Real Potosí). | |
| Estádio: Mineirão. Data: 3/2/2010. Árbitro: Diego Hernán Abal (Argentina). Auxiliares: Roberto Reta e Gustavo Esquivel (Argentina). | |



